Leituras Grifadas

por Fabiano Caruso

Dec 1

O Sentido das Conversações

“A compreensão, não o conhecimento, é o que estamos pretendendo na maioria de nossas conversas. Há milhares de anos os filósosfos nos dizem que o conhecimento é a mais alta das atividades da mente humana, mas isso porque você não é filósofo a menos que esteja interessado em ir além das meras opiniões daqueles que estão a seu redor e descobrir no que realmente vale a pena acreditar. É como perguntar a um chef qual é o maior dos sentidos, ou a um libertino qual é a melhor coisa que duas pessoas podem fazer juntas. Os filósofos que sucederam a Sócrates têm tendência a se sentarem em uma sala sozinhos e colocar seus pensamentos no papel, mas muitos de nós raciocinamos enquanto trocamos idéias com outras pessoas. Quando a base de uma conversa é compartilhada, existem coisas que sabemos - ou imaginamos que sabemos -, mas essas são exatamente as coisas sobre as quais não é interessante conversar. Em um conversa, pensamos juntos em voz alta, tentando compreender o assunto sobre o qual estamos conversando.

O barulho que isso faz é muito diferente do raspar de uma caneta de um filósofo sobre o papel. O papel leva os pensamentos para dentro de nossa cabeça. A web libera os pensamentos antes de eles estarem prontos, portanto, podemos burilá-los juntos. E nessas conversas ouvimos várias compreensões do mundo, pois elas se desenvolvem com base nas diferenças. A diferença sempre foi sinal de que o conhecimento não foi alcançado: Pode existir somente um conhecimento, pois o mundo é de um jeito, e não de outro, mas sempre existirão vários tipos de conversas e, portanto, várias compreensões. Jamais deixaremos de conversar, silenciados por um conhecimento único, unificado, verdadeiro, inevitável e final de tudo que nos rodeia”. (o trabalho do conhecimento, p.207).

David Weinberger - A Nova Desordem Digital


Page 1 of 1