Em parte, a luta na educação está relacionada ao poder. O sistema educacional e os professores querem manter a autoridade que possuem para decidir o que acontece na sala de aula. Engelmann e o mandato de pesquisa “com base científica” são uma ameaça direta àquele poder. Professores na sala de aula percebem que a liberdade e o discernimento deles estão ameaçados. Sob a ID, é Zig quem domina o show, quem cria o algoritmo, quem testa qual roteiro funciona melhor.
Não é só o poder e o discernimento dos professores que estão em jogo. Status e poder geralmente andam de mãos dadas. O crescimento das superanálises ameaça o status e a responsabilidade de muitos empregos tradicionais.
Vejamos o modesto funcionário responsável por empréstimos. Antes, ter esse cargo em um banco significava uma posição de status moderadamente alta. Eles eram bem pagos e tinham poder real para decidir quem podia e quem não podia receber empréstimos. Eram desproporcionalmente brancos e homens.
Hoje, as decisões sobre empréstimos são feitas em escritórios centrais baseando-se nos resultados de algoritmos estatísticos. Os bancos começaram a aprender que dar esse poder a funcionários era alto ruim. Não só porque os funcionários o usavam para ajudar seus amigos ou inconscientemente (ou conscientemente) discriminavam as minorias. Acontece que olhar um cliente nos olhos e estabelecer uma relação não ajuda a prever se ele irá realmente pagar o empréstimo.
Os funcionários de bancos, sem esse poder, tornaram-se nada mais do que secretários de luxo. Eles literalmente só digitam dados do solicitante e apertam a tecla Enviar. Não é de espantar que o status e os salários deles tenham despencado (e é menos provável que sejam homens brancos). Na educação, a luta entre os intuitivistas e os analistas de dados está ocorrendo, mas na área de empréstimos ao contumidor a batalha já terminou há muito tempo. (p.173)
Super Crunchers - Por que pensar com números é a nova maneira de ser inteligente - Ian Ayres
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